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OPINIÃO: 56 ANOS DE UM GOLPE CONTRA O POVO E A NAÇÃO BRASILEIRA
 
31/03/2020

*Por Adilson Araújo, presidente da CTB

Em ordem do dia aluvisa ao 31 de março, data oficial do golpe militar de 1964, o ministro da Defesa e os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica enaltecem hoje esta triste página da nossa história como “um marco para a democracia brasileira”. Tal interpretação não corresponde à verdade.

Trata-se, a rigor, de uma flagrante inversão dos fatos, pois aquilo que a nota dos militares define como “movimento” foi um golpe de Estado contra a democracia e o povo, que depôs um presidente legítimo e, posteriormente, fechou o Congresso Nacional e instalou uma junta militar no comando do país. O autorismo chegou ao ápice com a edição do famigerado Ai-5, em dezembro de 1968.

Os opositores, tratados como inimigos mortais, foram duramente perseguidos pelo regime, presos, torturados nos porões da ditadura e exilados. Centenas de pessoas foram assassinadas ou misteriosamente “desaparecidas”. Tivermos mandatos cassados no Parlamento e nas organizações populares, intervenções nos sindicatos, censura à imprensa, assassinato de operários e intelectuais, interdição de debates e da livre expressão do pensamento.

Autorismo e repressão a rodo, foi o que a ditadura militar propiciou.

Falar em defesa da democracia para justificar o golpe é tentar esconder o sol com a peneira, um exercício fútil de cinismo. Não foi para defender a democracia, mas sim os interesses das classes dominantes, nacionais e sobretudo estrangeiras, que o golpe foi perpetrado.

Não foi contra ameaças externas ou o fantasma comunista que o fazendeiro João Goulart foi derrubado. Foi para impedir as reformas de base que propôs: a reforma agrária, a reforma tributária democrática, a taxação das remessas de lucros e dividendos, o programa reformista do getulismo.

Foi um golpe contra a classe trabalhadora, os operários na cidade e os camponeses no campo (ansiando a reforma agrária), que juntos constituíam e ainda constituem o grosso do povo brasileiro.

O caráter de classes do “movimento” transparece quando percebemos as forças econômicas e políticas que lhe deram sustentação: a burguesia e os latifundiários brasileiros, aliados aos EUA.

A participação decisiva do imperialismo, que chegou a enviar porta-aviões para a costa brasileira na chamada Operação Brother Sam em apoio aos golpistas, foi décadas depois comprovada por documentos sigilosos liberados para divulgação pelo governo estadunidense.

Obviamente, Washington não interviu por altruísmo e um dos primeiros atos do regime instalado pelos militares foi revogar a lei das remessas de lucros de Goulart, uma exigência das multinacionais norte-americanas. A subordinação ao imperialismo e às instituições sob seu comando, como o FMI e o Banco Mundial, não serviu aos interesses nacionais, muito pelo contrário, pagamos alto e ainda estamos pagando por ela. O balanço geral de 21 anos de golpe foi amplamente negativo.

Quando foi derrubado, com a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral em 1985 e como desdobramento da épica campanha das Diretas Já, o regime militar adicionara à desmoralização política, temperada na corrupção, o legado do que se revelaria como a maior tragédia econômica da história do capitalismo brasileiro, gerenciada pelo FMI: a crise da dívida externa, que explodiu em 1981, desdobrou-se na recessão (1981 a 1983) e fez a taxa média anual de crescimento do PIB brasileiro despencar de 7% para cerca de 2% nas décadas seguintes.

O prejuízo que isto provocou ao desenvolvimento nacional, o relativo atraso no avanço das forças produtivas notoriamente em comparação com os países asiáticos, foi enorme. Até hoje a economia brasileira não recuperou a capacidade de crescimento alto e sustentado verificada no período da industrialização, entre 1930 a 1980.

As gigantescas manifestações por ocasião do cortejo fúnebre do veterano político mineiro em abril de 1985 soaram como o dobre de finados do regime tirano, que em seus estertores ainda recorreria ao terror e a iniciativas golpistas contra a posse do vice de Tancredo, o ex-presidente José Sarney, que acabaram derrotadas.

São acontecimentos históricos relativamente recentes e é preciso relembrá-los para aprender a lição. A classe trabalhadora não respaldou a ditadura militar. Na realidade, foi sua grande vítima. A democracia veio pelas mãos do povo brasileiro e é dever de todos os democratas e patriotas defendê-la com toda energia contra os falsos profetas da extrema direita que querem abrir caminho para o neofascismo.



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