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PAULO GUEDES PEDE DESCULPAS AO SERVIDOR, MAS NÃO CONVENCE
 
11/02/2020

Pegou muito mal as declarações do superministro de Bolsonaro, o rentista Paulo Guedes, contra os funcionários públicos, que chamou de parasitas. Elas lhe renderam uma avalanche de críticas não só da oposição, mas de parlamentares partidários do governo e do presidente da Câmara Federal, seu suposto  amigo Rodrigo Maia.

Guedes ficou tão mal na fita que tratou logo de recuar. Primeiro tentou dar o dito por não dito, mas a gravação de suas declarações durante uma palestra no Rio de Janeiro, na FGV, não deixa margem a desmentidos. Sem enxergar outra alternativa, ele mudou de tática e resolveu dar a mão a palmatório.  

 

Fake News

“Eu me expressei muito mal, e peço desculpas não só a meus queridos familiares e amigos mas a todos os exemplares funcionários públicos a quem descuidadamente eu possa ter ofendido”, afirmou. São palavras com as quais busca minorar os estragos políticos, mas que não convencem, soam falsas.

Sua palestra foi recheada de Fake News sobre as contas públicas para justificar a ofensiva reacionária contra os funcionários. Entre suas mentiras destaca-se a de que o governo “tá quebrado e gasta 90% da sua receita com salários”.

Na verdade, os dados da própria União indicam que as despesas comm a folha situam-se em torno de 20%. Além disto, como resultado do arrocho e do congelamento dos investimentos governamentais, o pagamento do pessoal, como percentual do PIB ou da receita, é inferior ao de 2002. Desmascarado, o ministro de Bolsonaro  buscou refúgio no argumento de que se referia à realidade de alguns estados e não do governo federal.

 

Greve nacional em 18/3

É notório que existem mordomias e privilégios no setor público, mas estes estão concentrados em algumas categorias especiais, começando pelos militares e incluindo juízes, procuradores e altos burocratas instalados no Judiciário, no Executivo e no Parlamento.

Mas o alvo do funcionário de Bolsonaro, que também pode ser incluído no seleto grupo de privilegiados, não são os militares (que se livraram da reforma da Previdência), ministros ou juízes. É o servidor que dá duro, em geral ganha pouco e está amargando a perda de direitos e o arrocho dos salários, ao lado do desmantelamento dos serviços públicos.

Não é demais lembrar que o ministro do governo de extrema direita liderado por Bolsonaro ficou milionário especulando com planos de estabilização econômica e é apontado pela Justiça como um dos beneficiários da fraude que causou prejuízos à fundação responsável pela gestão da aposentadoria dos funcionários do Bndes, a Fapes.

Parece óbvio que o jogo especulativo com planos econômicos não tem nada de produtivo, embora possa ser lucrativa não gera valor, é uma atividade tipicamente parasitária explorada por rentistas como o próprio Guedes. Ou seja, o adjetivo que usou para ofender os trabalhadores e trabalhadoras do setor público lhe cai bem.

É preciso notar ainda que o diagnóstico enviesado do ministro rentista sobre o setor público ignora deliberadamente o impacto dos juros da dívida no orçamento da União. É como se não existisse, como se os juros não constituíssem um problema real. Tal suposição, subjacente à justificativa do ajuste fiscal, nem sempre é explicitado. Isto não impede que os juros sejam oportunamente lembrados quando se trata de enaltecer a política monetária do Banco Central, que com a economia atolada no pântano da estagnação e inflação em baixa decidiu reduzir a taxa Selic, principal indexador dos títulos governamentais.

Todavia, metade do orçamento público é destinado ao pagamento dos serviços da dívida (juros e amortização do principal). A bem da verdade é preciso dizer que isto significa uma receita sequestrada por banqueiros e rentistas, cujos interesses de fato orientam a política fiscal restritiva e inspiram a ideologia do Estado mínimo, que na realidade é mínimo para os pobres e máximo para a alta burguesia. A hostilidade aos servidores e aos serviços públicos, deliberadamente menosprezados, acoberta esses interesses.

Com esta classe social, que concentra em suas mãos a riqueza nacional, não há conflito nem ofensas porque Guedes é do mesmo time e chegou à condição de ministro, aplaudido pelos que ditam a vontade do mercado, para fazer o jogo sujo do Capital contra a classe trabalhadora (seja do setor privado ou público), a nação e o povo brasileiro.

Com a reforma administrativa, o Palácio do Planalto quer garfar 25% da renda dos servidores, mas a resistência já está desenhada. Na agenda de luta da classe trabalhadora para o primeiro semestre deste ano destaca-se a convocação de uma greve nacional do funcionalismo em 18 de março. A resposta ao rentista Guedes e a Bolsonaro está a caminho.

 

 

 

Reprodução: CTB



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